Frameworks de Agentes e Orquestração
O Que é um Agente LLM
Um agente é um LLM que:
- Recebe um objetivo
- Decide quais ferramentas (tools) usar
- Executa ações (código, buscas, APIs)
- Observa os resultados
- Continua até completar o objetivo
Componentes: LLM + Tools + Memory + Planning + Action
Taxonomia de Autonomia (L1–L5)
Framework de classificação para agentes, análogo aos níveis SAE de direção autônoma. Caracteriza um sistema por dois eixos: escopo das decisões delegadas (o que o agente decide sozinho) e duração da operação sem supervisão (quanto tempo roda sem checkpoint humano). Fonte: survey de Deli Chen / DeepSeek (ver abaixo).
| Nível | Descrição | Sistemas-exemplo | Papel do humano |
|---|---|---|---|
| L1 | Autocomplete | GitHub Copilot, TabNine | Conduz cada passo; agente sugere continuações (+30–55% produtividade) |
| L2 | Execução de tarefa | ChatGPT + tools, Claude chat | Especifica a tarefa; aprova cada ação |
| L3 | Multi-step com checkpoints | Claude Code, Cursor Agent | Define o objetivo; revisa em checkpoints (10–100 ações; decisões táticas autônomas, supervisão estratégica) |
| L4 | Autonomia total, limitada a domínio | Devin, AI Scientist, SWE-Agent | Dá o objetivo; avalia só o output final (opera por horas/dias) — fronteira atual |
| L5 | Pesquisa autodirigida | (hipotético) | Define a área; o agente escolhe os próprios problemas — aspiracional |
Insight central: as barreiras para o L5 não são capacidade bruta, e sim (1) acúmulo persistente de conhecimento entre sessões, (2) autoavaliação confiável sem supervisão humana e (3) escala fundamentada das arquiteturas de agente sem degradação com a complexidade.
A fronteira em 2026 opera em L4 (execução autônoma multi-step em domínios limitados); L5 ainda não foi alcançado por nenhum sistema. Os limites entre níveis não são rígidos — um mesmo framework pode operar em L3 para tarefas de rotina e cair para L2 em situações novas que exigem julgamento humano.
Quatro padrões arquiteturais
| Padrão | Forma | Exemplos |
|---|---|---|
| Single-agent loop | plan → act → observe → reflect em ciclo |
ReAct, Reflexion, Self-Refine, Tree of Thoughts, LATS, RAP |
| Colaboração multi-agente | Papéis distintos que se revisam/complementam | CAMEL, AutoGen, MetaGPT, debate, Mixture-of-Agents |
| Orquestração hierárquica | Supervisor decompõe e delega a executores | MetaGPT (SOPs), ChatDev, AutoGen group-chat |
| Execução tool-augmented | Agente com acesso a codesearchbrowserDBlab | ChemCrow, HuggingGPT |
Os sistemas mais poderosos combinam vários padrões.
Seis problemas fundamentais ainda abertos
- Loops cognitivos — o agente repete estratégias fracassadas sem perceber.
- Limitações de janela de contexto — sessões longas (>100k tokens) perdem a informação inicial.
- Avaliação de novidade — como aferir se um resultado de IA é realmente inédito (similaridade semântica não distingue novo de obscuro).
- Reprodutibilidade — inferência com temperatura ≠ 0 dá resultados diferentes a cada execução; alta sensibilidade ao prompt.
- Segurança / dual-use — as capacidades que tornam o agente valioso também criam risco.
- Custo — resolver um caso do SWE-bench custa ~US$ 5–50 em chamadas de API → barreira econômica.
Relevância para a Koder Stack
A Stack opera hoje em L3–L4: o Claude Code/Kode é canonicamente L3 (checkpoints), e o workflow engine (orquestração determinística com subagentes) instancia diretamente os padrões de orquestração hierárquica (supervisor → executores) e colaboração multi-agente (verify adversarial, judge panels). Os seis problemas mapeiam riscos reais dos nossos harnesses: loops cognitivos (loop-until-dry com contador), janela de contexto (compaction), reprodutibilidade (schemas + verificação adversarial).
Fonte: Deli Chen (DeepSeek), "From Copilots to Colleagues: A Survey of Autonomous Research Agents" (2026) — 95+ papers, 17 sistemas, matriz de 6 dimensões. PDF. Curiosidade meta: ~99% do artigo foi escrito pelo próprio framework de agente do autor (Deli AutoResearch SKILL); coautores creditados: DeepSeek-V4-Pro (texto) e GPT-Image2 (figuras). Não confundir com o paper homônimo arXiv:2508.12752 ("Deep Research: A Survey of Autonomous Research Agents"), que é outro trabalho.
Autopilots — agentes always-on com identidade governada
Categoria de agente formalizada pela Microsoft no Build 2026 (02062026) com o Microsoft Scout: um agente sempre ativo que opera em segundo plano de forma autônoma, sem ser reprompted a cada tarefa (agenda reuniões cross-timezone, prepara materiais, antecipa riscos). Distingue-se do chatbot/copilot reativo por dois eixos novos — persistência (always-on) e governança de identidade — e não por capacidade bruta.
O ponto arquiteturalmente relevante não é o produto, é o modelo de identidade:
| Propriedade | Como o Scout implementa | Por que importa |
|---|---|---|
| Identidade própria por agente | Cada agente roda sob uma identidade governada no Entra (não uma service account compartilhada/anônima) | Toda ação é atribuível a um ator conhecido no diretório → auditoria real |
| Credenciais escopadas à tarefa | Credenciais limitadas à tarefa, redigidas de logs/diagnósticos, geridas como serviço first-party | Princípio do menor privilégio aplicado ao agente; segredo não vaza em observabilidade |
| Política aplicada antes da ação | DLPlabels de sensibilidade (Purview) avaliados *ntes de qualquer enviogravação; ações sensíveis exigem aprovação humana* | Autonomia dentro do envelope de compliance, não fora dele |
| Acesso allowlisted | Só alcança recursosdestinos previamente aprovados; alcança browserdesktop |